Rio de Janeiro teme nova epidemia de dengue
A proliferação de mosquitos no Rio de Janeiro, favorecida pelo clima quente e chuvoso do verão, reavivou o temor de uma nova epidemia de dengue, como a ocorrida em 2002. Os riscos, segundo o entomologista do Instituto Oswaldo Cruz, Anthony Erico Guimarães, são consideráveis, já que o índice de imóveis infestados pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, é muito superior ao limite estabelecido pela OMS - Organização Mundial da Saúde.
"O índice recomendado deve ficar o mais próximo possível de zero. No entanto, o último número divulgado pela prefeitura do Rio de Janeiro (RJ) foi de 5,6%, ou seja, de cada 100 imóveis visitados, mais de cinco possuem o mosquito", revelou o pesquisador, considerando que a quantidade de focos do Aedes aegypti na cidade deve ser muito maior do que o registrado pela Secretaria Municipal de Saúde.
"Como eles (agentes de endemias) apenas verificam se o imóvel tem ou não o mosquito, sem contabilizar a quantidade e o tipo de criadouro, não temos uma noção real do problema. Isso ocorre porque o nível de infestação muda muito se há vários focos dentro de um domicílio, ou se o foco é uma caixa d´água, que tem muito mais larvas do que em uma lata ou pneu. Isso deveria ser considerado também na hora de calcular o índice", observou Guimarães, acrescentando que a população e as autoridades relaxaram um pouco no combate ao mosquito.
"A prefeitura diz que não houve epidemia em 2003 e 2004 por causa das ações que ela realizou. Mas não é bem assim. Isso também não ocorreu porque a população já está imunizada contra o vírus da dengue tipo 3, que infectou 2,5 milhões de pessoas entre 2001 e 2002. Porém, se um novo tipo for introduzido na cidade, já temos um índice de infestação que pode provocar uma epidemia", alertou, informando que o vírus 4, presente na Colômbia, Venezuela e Caribe, pode facilmente chegar à cidade, principalmente nos períodos em que o fluxo de turistas aumenta, como o réveillon e o Carnaval.
A coordenadora de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Meri Baran destacou que o índice de infestação predial do mosquito caiu nos últimos doze meses. A taxa de 5,6% foi calculada por um método de amostragem, mas na visitação casa a casa, o índice foi de 2,35% nos meses de novembro e dezembro do ano passado, contra 3,74% registrado no mesmo período em 2003 - ainda assim, acima do recomendado pela OMS.
"Houve redução, mas não podemos relaxar. Esses três meses são muito importantes, pois este ano o calor promete e também há muita chuva, propiciando condições ideais para o mosquito se reproduzir rapidamente." Para diminuir os riscos de uma nova epidemia, a prefeitura vai reforçar as ações de combate ao mosquito, que se reproduz em água limpa e parada, focalizando os locais onde o fluxo de turistas é maior, como os barracões de agremiações carnavalescas e o Sambódromo, onde são realizados os desfiles das escolas de samba, afirmou.
"No último fim de semana iniciamos a distribuição de folhetos informativos no Sambódromo. E, no início de fevereiro, vamos fazer o mesmo em pontos turísticos como o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, o Jardim Botânico e o Jardim Zoológico", adiantou a coordenadora.
(Karine Rodrigues/Agência Estado)
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