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A Escalada Feminina no Brasil

Em toda a história do montanhismo sempre existiu mulheres escaladoras, basta pegar os antigos livros de relatórios de escalada de Clubes do Rio de Janeiro, principalmente entre as décadas de 50 e 70, para ver vários nomes de mulheres, inclusive como guias.
Pega Leve!
É mais que uma campanha para garantir o bom uso das trilhas e acampamentos limpos. É um programa ...
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Mal das Montanhas
Com a diminuição da pressão atmosférica, a quantidade de oxigênio disponível para nossa respiração também diminui gerando fenômenos adversos que podem muitas vezes levar a morte

Há milhares de anos as montanhas fascinam o homem, quer seja pela sua beleza, quanto seu poder. Histórias e lendas existem dentre todos os povos que convivem com cadeias de montanhas. As montanhas influenciam diretamente não só os hábitos, mas a fisiologia do homem.

Em conseqüência não só dos mitos, como da própria dificuldade técnica, a prática do montanhismo como esporte, só iniciou-se no séc. XV nos Alpes. Atualmente milhares de pessoas escalam montanhas nos diversos confins da Terra. Esta prática tem crescido inclusive em nosso meio.

O desenvolvimento de tecnologias como por exemplo novos tecidos, permitem que o homem suporte condições climáticas cada vez mais extremas. Porém permanece uma grande barreira: A altitude e seus efeitos.

Com a diminuição da pressão atmosférica, a quantidade de oxigênio disponível para nossa respiração também diminui gerando fenômenos adversos que podem muitas vezes levar a morte. A hipoxia (diminuição da concentração de oxigênio nos tecidos), edema agudo pulmonar e cerebral são manifestações possíveis e típicas.

A literatura relata que estes fenômenos podem ocorrer não só em grandes altitudes (acima de 4000m) mas também em altitudes moderadas (a partir de 2500m) pois nesta condição já se tem uma diminuição considerável na pressão de oxigênio no ar atmosférico.

No Brasil apenas 1% do território encontra-se acima de 2000m, porém algumas montanhas que alcançam até 3000m. Com o despertar de atividades como o ecoturismo e esportes de aventura, um número cada vez maior de pessoas tem alcançado o cume destas montanhas.

Fisiologia: Efeitos Agudos da Hipoxia

Alguns dos importantes efeitos agudos da hipoxia, começando na altitude aproximada de 3.600m (alguns trabalhos científicos relatam que estes podem iniciar-se a uma altitude de 2500m) são sonolência, lassidão, fadiga mental e muscular, por vezes cefaléia, ocasionalmente náuseas e, por vezes, euforia.

Um dos efeitos mais importantes da hipoxia é a diminuição da eficiência mental que prejudica o juízo crítico, a memória e a execução de movimentos motores precisos. Todos esses efeitos podem evoluir para um estado de abalos musculares ou convulsões acima de 5.400m e culminar num estado de coma, em pessoas não-aclimatadas, acima de 7.000 m.

A pessoa não-aclimatada pode normalmente permanecer consciente até que a saturação arterial de oxigênio caia para 40 a 50% (ao nível do mar é de cerca de 97%). O teto para um montanhista respirando ar é de aproximadamente 7.000 m, e de cerca de 14.000m respirando oxigênio, desde que o equipamento que supre o oxigênio funcione perfeitamente.

Aclimatação à Baixa Concentração de Oxigênio (pO2)

Uma pessoa que permanece numa altitude elevada por dias, semanas ou anos fica cada vez mais adaptada à baixa pO2, de modo que essa altitude causa menos efeitos prejudiciais ao organismo e também possibilita que a pessoa trabalhe mais, sem efeitos hipóxicos ou suba a altitude ainda mais elevada. Os meios principais pelos quais ocorre a aclimatação são:

1. grande aumento na freqüência respiratória e cardíaca;
2. aumento do número de hemácias (células responsáveis pelo transporte de oxigênio).Infelizmente esse aumento da hemoglobina e do volume sangüíneo é lento, não tendo praticamente qualquer efeito até 2 a 3 semanas depois, atingindo a metade de seu desenvolvimento em aproximadamente 1 mês;
3. aumento da capacidade de difusão do oxigênio nos pulmões e da capilaridade nos tecidos.

Doença aguda da montanha e edema pulmonar e cerebral das grandes altitudes

Uma pequena percentagem das pessoas que sobem rapidamente para altitudes elevadas tornam-se agudamente doente e morrem, se não receberem oxigênio ou não forem levadas para altitude mais baixa.

Podemos separar as doenças provocadas pela altitude em dois grupos, de acordo com seus sintomas e sua gravidade.

LEVE A MODERADO: Doença Aguda das Montanhas (DAM).
GRAVE: Edema pulmonar e cerebral das grandes altitudes.

Doença Aguda das Montanhas (DAM)

Os sintomas iniciam-se de 6 até 48 horas após ascensão em altitudes superiores a 2500m; normalmente melhoram entre 36 a 72 horas; se não ocorrer mais ascensão.

Não é possível predizer quem e quando irá sofrer DAM; bem como sua gravidade. Quem já sofreu DAM uma vez está mais susceptível a tê-la novamente. Boa capacidade física não é garantia de proteção.

A prevenção consiste em dispor de um tempo suficiente para aclimatação nos vários níveis de altitude. Isto porque tende a acometer pessoas que ascendem muito alto, rápido e principalmente que não estão aclimatadas. A presença de outros fatores como o frio e vento, medo, cansaço, desidratação e infecções respiratórias facilitam a ocorrência de DAM.

Deve-se ingerir diariamente de 4 a 5 litros de líquidos ou o suficiente para produzir uma urina clara e volumosa. Também é importante uma alimentação com elevado nível de calorias (principalmente a base de carboidratos). O álcool e sedativos atrapalham a respiração e agravam os sintomas durante o sono.

A DAM normalmente é curada ao se descer para uma altitude menor. Portanto montanhistas que adoecem e não se recuperam com o descanso, devem descer entre 300 e 1000 m, o mais rápido possível.

Doença Aguda das Montanhas (DAM)

O QUE PROCURAR:
- Dor de cabeça generalizada que geralmente desenvolve-se durante a noite e está presente ao acordar.
- Cansaço incomum, desproporcional à atividade realizada;
- Perda de apetite e náusea.
- Sono difícil com respiração irregular.

O QUE FAZER:
- Descansar e não subir mais;
- Aguardar e ver. Se a dor de cabeça persistir, mesmo após o uso de analgésicos e descanso, deve-se descer ente 300m e 1000m.

O agravamento dos sinais e sintomas da DAM pode significar o início de quadros graves como Edema Pulmonar e Cerebral. Infelizmente estes podem surgir rapidamente, geralmente à noite, período em que descer se torna mais difícil e perigoso. Portanto é prudente descer o mais rápido possível quando sintomas da DAM persistem ou pioram.

Edema Cerebral Agudo

Decorre supostamente da dilatação local dos vasos sangüíneos cerebrais, causada pela hipoxia. Essa dilatação faz com que haja vazamento de líquido para os tecidos cerebrais. O edema cerebral pode levar, então, a grave desorientação e a outros efeitos relacionados ao mal funcionamento cerebral. Normalmente ocorre acima de 4000m. Pode ser acompanhado de edema pulmonar agudo e levar a morte rapidamente

Edema Cerebral Agudo

O QUE PROCURAR:
- Dor de cabeça intensa, persistente, semelhante a uma enxaqueca, a qual não é aliviada com medicamentos, como paracetamol e ácido acetil salicílico, ou por uma boa noite de descanso.
- Incoordenação motora (ataxia), a qual faz com que a pessoa pareça estar alcoolizada , sendo incapaz de caminhar numa linha reta ou ter movimentos finos. Quando a ataxia é grave a vítima não consegue ficar de pé.
- Cansaço extremo. A pessoa não come, bebe ou conversa e apresenta-se isolada, irritada ou confusa. Pode ocorrer alucinações e delírios.
- Vômitos, os quais combinados com incapacidade de beber pode levar a uma grave desidratação.
- Coma, quando a pessoa se torna irresponsiva e inconsciente, podendo morrer.

O QUE FAZER:
- Descer. Isto normalmente leva a uma melhora do quadro. Não postergue a descida porque já está de noite, ou tentando usar medicamentos e oxigênio ou aguardando equipe de resgate. Mesmo uma descida modesta (300m a 1000m) pode salvar uma vida. Uma vez que a pessoa tenha descido, ela não deve tentar ascender novamente.
- Deixe a vítima confortável , de modo que possa respirar normalmente. Não se esqueça que o frio e a ansiedade agravam a DAM.
- Mantenha a vítima hidratada.
- A vítima pode ser mantida em uma câmara portátil de compressão ( Gamow bag), enquanto operação de resgate é montada.
- Medicamentos como a acetazolamida e dexametasona podem ser usados, de acordo com prescrição ou acompanhamento médico.

Edema Pulmonar Agudo

Sua causa ainda não é conhecida, mas a resposta sugerida é a seguinte: a grave hipoxia faz com que os alguns vasos pulmonares se contraiam fortemente de modo que volume cada vez maior de sangue que chega a algumas áreas dos pulmões. Devido ao aumento da pressão, ocorre um edema local. Este processo estende-se para áreas cada vez maiores dos pulmões levando a uma grave disfunção pulmonar que pode ser letal. Contudo, fazer a pessoa respirar oxigênio geralmente reverte o processo em algumas horas.

Edema agudo de pulmão geralmente ocorre acima dos 3000m, geralmente entre 36 a 72 horas após a chegada a esta altitude. Algumas pessoas têm extrema reatividade vascular pulmonar à hipoxia, muitas vezes maior que a reatividade de pessoas normais; essas pessoas são particularmente susceptíveis ao edema pulmonar agudo das grandes altitudes.

Edema Pulmonar Agudo

O QUE PROCURAR:
- Aumento da freqüência respiratória, com dificuldade de inspiração, presente inclusive ao dormir. A pessoa precisa se assentar para respirar confortavelmente.
- Tosse, primeiro seca , evoluindo com a presença de espuma e escarro róseo (pigmentos de sangue).
- Cianose ( arroxeamento) dos lábios , face e extremidade dos dedos.
- Aumento da freqüência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto em descanso.

O QUE FAZER:
- Descer. Este é o mais importante princípio para o correto tratamento. Dar oxigênio, se disponível.
- A vítima pode ser mantida em uma câmara portátil de compressão ( Gamow bag) , enquanto operação de resgate é montada.
- Medicamentos como a acetazolamida e nifedipina ( vasodilatador) podem ser usados, de acordo com prescrição ou acompanhamento médico.

Para saber mais:
1. Tratado de Fisiologia Médica / Guyton: Editora Guanabara, 1992
2. Medicine For Mountaineering / James Wilkerson: The Mountaineers, 1992
3. www.high-altitude-medicine.com


Dr. Paulo Magno do Bem Filho
Médico formado pela UFMG com Residência em Patologia Clínica no HC-UFMG; Ex-Pesquisador do GEAP-MG (Grupo de Estudos de Acidentes por Animais Peçonhentos de Minas Gerais); MBA em Saúde pelo IBMEC Business School. Mergulhador de resgate (PDIC). Já participou de inúmeras expedições: Amazônia e Monte Roraima (1996), Pantanal (1997), Vale do Peruaçu (1998), Aconcágua (1999), etc. Percorreu a pé o interior de Minas Gerais como médico das Expedições Spix&Martius e Estrada Real. Idealizador do Projeto Paralelos (www.projetoparalelos.com).

Planejou e participou das 4 etapas: Ascensão de Vulcões no Equador, Trekking na Patagônia e Cicloturismo no sertão de Minas Gerais. Em sua última viagem percorreu 1300m de bicicleta na Nova Zelândia.

Fonte: www.clubedecicloturismo.com.br

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Fruto de um e-mail enviado pelo Antônio Paulo Faria à lista da FEMERJ onde ele explanava, juntamente com a porcentagem de escaladoras no país, comentários sobre aspectos que envolvem as conquistas amorosas entre escaladores, surgiu em mim o interesse em além de responder o e-mail adicionando informações do âmbito da psicologia, investigar mais o tema que parece ser bem interessante. Este é um tema curioso na medida em que, de uma forma geral, as questões de ordem sexuais são fundamentais e estão em lugar de destaque na nossa vida pessoal.

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