PNSO
Parque Nacional da Serra dos Órgãos
O Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PNSO) foi o terceiro Parque Nacional criado no Brasil (1939) com o objetivo de preservar os mananciais de Teresópolis e as encostas florestadas para fins de pesquisa científica, além da conservação dos solos e o desenvolvimento do turismo. Seu nome deriva do antigo nome local dado às encostas atlânticas da Serra do Mar nos municípios de Magé, Teresópolis, Petrópolis e Guapimirim, os quatro municípios afetados. A origem mais provável é a imaginação religiosa dos católicos colonizadores portugueses. Eles talvez tenham notado nos esbeltos picos da área uma semelhança com os grandes órgãos de catedrais européias e os batizaram por analogia.
Com uma área oficial de 11 mil hectares, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos abrange 10 picos com mais de 2.000m e outros 6 com mais de 1.500m, uma coleção de altitudes nada típica do Brasil. A Pedra do Sino, com 2.263m, é o ponto culminante do Parque. O famoso pico do Dedo de Deus, com 1.692m, também está dentro do parque.
Os rios do PNSO refletem o tipo de relevo: são curtos, encachoeirados e despencam rapidamente na Planície Costeira, onde cumprem curtos trajetos até a Baía de Guanabara. Seus volumes de água são modestos, mas eles são permanentes e sujeitos a cheias repentinas (Cabeças d'água) durante as chuvas torrenciais de verão.
Localização e acessos
O Parque Nacional da Serra dos Órgãos fica numa seção proeminente da Serra do Mar, bem no fundo da Baía de Guanabara ocupando territórios dos municípios de Magé, Guapimirim, Petrópolis e Teresópolis.
A rodovia federal BR-116 (Rio-Bahia) cruza o PNSO. Ela já existia quando da criação do parque. A entrada oficial do parque se localiza à margem dessa rodovia, imediatamente depois do fim da subida da Serra dos Órgãos, para quem vem do Rio. Fica dentro dos limites urbanos de Teresópolis e é, portanto, acessível de ônibus urbano.
A chamada sub-sede do PNSO se localiza também à beira da BR-116, numa altitude bem menor, em terras de Magé, a cerca de 15 Km da entrada da sede. Ela é alcançável por uma entrada à direita da estrada, de quem vem do Rio. Essa área secundária de visitação é bem mais modesta.
Outra área de acesso muito freqüentada é por Petrópolis, através do Vale do Bonfim em Correias. A área é muito bonita e serve de ponto de partida para muitas caminhadas na Serra dos Órgãos.
Fauna
A fauna do PNSO é uma rica amostra dos animais mais comuns à Mata Atlântica brasileira, incluindo primatas, felinos, caninos, répteis, anfíbios, muitas aves e inúmeros insetos. No início do século XIX, naturalistas como Spix e Martius exploraram e coletaram espécimes na Serra dos Órgãos. De acordo com a teoria dos "refúgios do pleistoceno", proposta por K.S. Brown, o PNSO está localizado no centro de um desses refúgios. Assim, o parque seria parte de uma importante matriz de riqueza biológica remanescente, onde espécies endêmicas de flora e fauna sobreviveriam a condições climáticas extremamente adversas e depois recolonizaram as vizinhanças quando o clima se tornou mais ameno. Segundo o Plano de manejo do PNSO publicado em 1980, a área do Parque deveria ser "três ou quatro vezes maior" para proteger adequadamente sua flora e fauna. Especialistas registraram que pelo menos 13 espécies de animais estão em extinção na área do PNSO.
Flora
A flora tem quatro tipos distintos que variam de acordo com a altitude, relacionando com temperaturas e chuvas. Abaixo de 1.400m predominam as florestas tropicais úmidas costeiras atlânticas. As florestas tropicais úmidas de montanha predominam entre 1.400 e 1.800 m. Entre 1.800 e 2.000m predominam as florestas tropicais úmidas de altitude. Acima de 2.000m ocorrem os campos de altitude, onde predominam árvores pequenas, arbustos, ervas e gramas, distribuídas em torno de rochas e pedras em parte cobertas de liquens e musgos. As principais espécies vegetais e as comunidades predominantes em cada faixa de altitude são em geral semelhantes às do Parque Nacional de Itatiaia, embora nos campos de altitude de Itatiaia haja um número muito maior de ervas e gramas floridas. Ainda assim, é grande e merecedora de proteção a riqueza ecológica do PNSO. Especialistas consideram muito provável que o parque, localizado a apenas 80Km do centro da cidade do Rio de Janeiro, contenha espécies de flora ainda desconhecidas pela ciência, principalmente nas suas florestas de altitude.
Montanhismo
A Serra dos Órgãos é uma impressionante cadeia de montanhas, muito apropriada para caminhadas e escaladas, dando a Teresópolis o título de "Capital Brasileira de Montanhismo". Dentre as montanhas destacam-se o Dedo de Deus, o Escalavrado, o Dedo de Nossa Senhora, a Cabeça de Peixe, a Verruga do Frade, a Agulha do Diabo, o Papudo, o Açu e a Pedra do Sino.
Pedra do Sino
Ponto culminante da Serra dos Órgãos, com 2.263 metro de altitude, é alcançado por uma trilha de 14 km de extensão em uma caminhada de aproximadamente 4 horas. Para subir a trilha, menores de 18 anos necessitam de autorização, por escrito, dos pais ou responsáveis. Para os maiores de 18 anos, exige-se a assinatura de termo de responsabilidade. Na face oeste da Pedra do Sino está a escala mais difícil do Brasil. Trata-se da "Terra de Gigantes", uma parede com cerca de 500 metros totalmente negativa, avistada somente das trilhas que levam à travessia Petrópolis - Teresópolis.
Texto extraído do Livro "Devastação e preservação ambiental do Rio de Janeiro" de José Augusto Drummond.
Para conhecer mais sobre o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, acesse as colunas de Cintia Adriane e Daniel Guimarães.
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