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Tadeusz
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A Escalada Feminina no Brasil

Em toda a história do montanhismo sempre existiu mulheres escaladoras, basta pegar os antigos livros de relatórios de escalada de Clubes do Rio de Janeiro, principalmente entre as décadas de 50 e 70, para ver vários nomes de mulheres, inclusive como guias.
Pega Leve!
É mais que uma campanha para garantir o bom uso das trilhas e acampamentos limpos. É um programa ...
Equinox
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A prática mal assessorada
Percebe-se que nos últimos tempos o número de praticantes em atividades “outdoor” se multiplicou de forma assustadora

Comentários a respeito do assunto no clube de montanhismo do qual faço parte, o Centro Excursionista Petropolitano, são freqüentes e todos concordam com a multiplicação inacreditável de escaladores desconhecidos e com a incapacidade técnica de alguns. Com essa deficiência técnica aguda tivemos inclusive alguns acidentes. Como exemplo, podemos citar um caso observado por um guia do CEP de um indivíduo desconhecido que deixou seu oito cair e “rapelou” uma escalada de quase noventa graus no braço, se entitulando “safo”, e por sorte essa imperícia não se tornou uma tragédia; pode-se citar ainda os acidentes no cabo-de-aço CEPI, no Pão-de-Açúcar; e vários acidentes (inclusive fatais) noticiados vorazmente pela mídia.

Seria interessante começar a documentar estes acidentes para fazermos estatísticas do número de praticantes em relação ao número de acidentes e compararmos com outros esportes. Além disto, observamos a baixa qualidade técnica das revistas nacionais. Os editores se preocupam muito com o que vende mais e na maioria das vezes estão deixando a confiabilidade das revistas de lado.

É inaceitável que revistas “do ramo” publiquem erros tão gritantes como: dicas de como usar a bússola passando informações de mapas para a realidade sem mencionar declinação magnética; mapinhas estilizados onde a Agulha do Diabo é comparada a um morrote; o Rio Paquequer corre ao lado da trilha do Sino; fotos do Pico da Glória referenciando a subida do Sino; indicação do Morro do Cubaio entre o Vale das Antas e o Dinossauro; a distância lendária da travessia de 42km; um mapa onde o Sino aparece entre o Açu e Correas e, como se não bastasse, fotos do Nariz da Freira dizendo ser o Dedo de Deus! É o cúmulo da ignorância no montanhismo nacional. E para nosso azar estes mesmos editores estão produzindo as revistas que mais circulam entre os leigos do montanhismo.

Estes “leigos do montanhismo” são as pessoas que gostam de uma caminhadinha ou outra e vez por outra resolvem se lançar num desfio maior como a Travessia Petrópolis-Teresópolis. O grande problema é que eles utilizam muitas vezes as informações que constam nestas revistas para sua orientação, por ignorância, por acharem que as revistas, pelo poder de divulgação sobre os leitores, têm um mínimo de responsabilidade com os mesmos.

Infelizmente estes “leigos do montanhismo” estão enganados. Ou muitas vezes percebem que estão sendo enganados, mas preferem estes meios do que outros talvez mais complexos e demorados para se chegar às informações. A maioria das revistas nacionais que tenho acompanhado não têm um mínimo de compromisso com seus leitores e publicam indiscriminadamente informações falsas.

Infelizmente dois rapazes de Volta Redonda estavam se orientando com uma destas revistas para fazer a Travessia de Teresópolis para Petrópolis e, como também pareciam não ter muito conhecimento técnico, ao chegar no Açú sairam completamente da rota, descendo em direção ao Pico do Eco, seguindo os marcos. Começaram a descer e logo que a vegetação de altitude deixou-os se viram rodeados por uma mata mais alta, fechada, e decidiram voltar. No caminho de volta para o Açú, mais precisamente no Rio do Índio, uma fatalidade fez com que um deles caísse por cerca de 30m e não mais voltasse.

Seu companheiro, apesar do pé lesionado, voltou para os Castelos do Açu, conseguiu achar a trilha para o Vale do Bonfim e solicitar auxílio.

O trabalho de resgate do companheiro dele no dia seguinte se resumiu à identificação do local da queda e à remoção do corpo, pois a queda foi muito violenta e não deu nenhuma chance ao acidentado.

Existem duas alternativas para estas revistas se aprimorarem: ou elas deixam de lado as informações técnicas ou elas contratam pessoas que realmente saibam o que estão escrevendo e que tenham credibilidade entre os montanhistas e não apenas entre os praticantes “outdoor”.

De certo existem muitas fontes confiáveis de informações, como os clubes de montanha. Os clubes exigem de seus guias relatórios das excursões de forma que se forme um banco de referências bastante confiável, com descrições atualizadas de pessoas que estiveram nos locais das excursões.

Vejam as fotos, leiam as descrições das excursões, entretanto, não aproveitem nada a respeito de informações técnicas, mapas e roteiros das revistas nacionais pois após várias observações me parece óbvia a questão.

Lourenço Lustosa Fróes
lourenco@compuland.com.br

Centro Excursionista Petropolitano - CEP
www.compuland.com.br/cepetro

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