Preso no rapel negativo
Subitamente, há um descuido no arraste do prusik pela mão acima do aparelho de descida e pronto...
Em rapel vertical, onde o posicionamento do pé na parede se torna difícil, ou até mesmo impossível, o travamento do prusik na corda pode fazer com que a pessoa fique presa, pendurada nas alturas.
Trata-se de uma situação desconfortável, que não ocorrerá naturalmente, e só ocorrerá mediante um lapso operacional, decorrente do não arraste do prusik pela corda durante a descida.
Sem se ater à discussão sobre vantagens e desvantagens do posicionamento do prusik, acima ou abaixo do aparelho de descida, a ocorrência de aprisionamento do prusik na corda, estando o mesmo montado abaixo do aparelho de descida em um rapel negativo, torna-se menos dificultoso de se soltá-lo.
Assim sendo, será abordada a condição mais difícil de se soltá-lo, ou seja, quando está instalado acima do aparelho de descida. Todavia, para a outra condição, as ações são similares, acrescentando-se serem menos difíceis de execução, em função do posicionamento do prusik.
Suponhamos a seguinte situação:
Está sendo efetuada uma descida de rapel, tendendo à negativa, ou mesmo negativa, com back-up de segurança por pruscik, na montagem acima do aparelho de descida. Subitamente, há um descuido no arraste do prusik pela mão acima do aparelho de descida e pronto... há o aprisionamento (interrupção da descida pelo tensionamento do prusik) não previsto, e não desejado. A descida fica comprometida (e a pessoa fica pendurada nas alturas). Para se safar desse perrengue apresenta-se as seguintes sugestões:
1) Dispõe-se de um segundo cordolete para prusik de tamanho reduzido, e não se dispõe de recursos de uma fita para extensão desse cordolete, de tal forma que possibilitasse a sua instalação acima do aparelho de descida. Realizar as seguintes ações:
a) instalar o segundo prusik na parte da corda que esteja abaixo do aparelho de descida, para que permita o enlaçamento do pé, como um degrau para ascensão;
b) enlaçar o pé no prusik e carregar o peso sobre o mesmo. Haverá a ascensão do corpo, na região da cadeirinha, retirando a tensão na corda sobre o prusik original e sobre o aparelho de descida;
c) afrouxar o nó do prusik original e deixá-lo em condições de utilização de back-up;
d) ainda mantendo pressão com o pé sobre o prusik de baixo, posicionar firmemente na corda a mão de controle do rapel após o aparelho de descida, de forma a garantir a frenagem da corda, na ação a seguir;
e) abaixar o corpo gradativamente, visando jogar pressão da corda sobre o aparelho de descida, para, a seguir, retirar o pé do prusik inferior (atenção!!! pois nesse instante o que garantirá a frenagem é o aparelho de descida e a mão de controle do rapel);
f) retirar da corda o prusik inferior, empregando a mão que não está frenando a corda;
g) reposicionar a mão de arraste do prusik de cima e reiniciar a descida.
2) Dispõe-se de um segundo cordolete para prusik de tamanho grande, ou então de uma fita para extensão desse cordolete, de tal forma que possibilite a sua instalação acima do aparelho de descida. Realizar as seguintes ações:
a) instalar o segundo prusik na parte da corda que esteja acima do aparelho de descida;
b) interligar a fita de extensão por uma boca de lobo ao cordolete do pruscik, de tal forma que essa fita permita o enlaçamento do pé, como um degrau para ascensão;
c) enlaçar o pé na fita e carregar o peso sobre a mesma. Haverá a ascensão do corpo, na região da cadeirinha, retirando a tensão na corda sobre o prusik original e sobre o aparelho de descida;
d) afrouxar o nó do prusik original e deixá-lo em condições de utilização de back-up;
e) ainda mantendo pressão com o pé sobre fita, colocar pressão da corda sobre o aparelho de descida e firmar a mão de controle do rapel após o aparelho de descida, de forma a garantir a frenagem da corda, na ação a seguir;
f) abaixar o corpo gradativamente, visando jogar pressão da corda sobre o aparelho de descida, para, a seguir, retirar o pé da fita (atenção!!! pois nesse instante o que garantirá a frenagem é o aparelho de descida e a mão de controle do rapel);
g) retirar da corda o prusik inferior, empregando a mão que não está frenando a corda;
h) reposicionar a mão de arraste do prusik de cima e reiniciar a descida.
3) Não se dispõe de um segundo cordolete. - Realizar as seguintes ações:
a) suspender um tanto um dos pés e enlaçá-lo pelo peito e a sola do pé, de tal forma que possibilite utilizar esse enlaçamento como um degrau para ascensão do corpo, mediante a pressão do pé sobre esse enlaçamento;
b) ascender o corpo, retirando a tensão na corda sobre o prusik original e sobre o aparelho de descida;
c) afrouxar o nó do prusik original e deixá-lo em condições de utilização de back-up;
d) ainda mantendo pressão com o pé sobre o enlaçamento da corda, posicionar firmemente na corda a mão de controle do rapel após o aparelho de descida, de forma a garantir a frenagem da corda, na ação a seguir;
e) abaixar o corpo gradativamente, visando jogar pressão da corda sobre o aparelho de descida, para, a seguir, remover o enlaçamento da corda no pé com a mão que não está posta a frenar a corda (atenção!!! pois nesse instante o que garantirá a frenagem é o aparelho de descida e a mão de controle do rapel);
f) reposicionar a mão de arraste do prusik de cima e reiniciar a descida.
Celso Perin
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