Escolha do selim no ciclismo
Ajustes incorretos da posição do selim, guidom ou tacos das sapatilhas, podem levar não só a desconforto, que acarreta perda de desempenho e até lesões.
Não só o tamanho do quadro da bicicleta é importante, mas também o posicionamento do selim, do guidom, dos tacos, papéis de relevo as sensações do ciclista e sua adaptação ao posicionamento, o qual em ciclistas de elite muitas vezes é definido de acordo com percepções pessoais de conforto.
Entretanto, estes ajustes comumente têm sido feitos na base da tentativa e erro.
Ajustes incorretos da posição do selim, guidom ou tacos das sapatilhas, podem levar não só a desconforto, que acarreta perda de desempenho e até lesões (crônicas ou agudas). A experiência prática mostra que os ciclistas são regularmente confrontados com lesões e dores crônicas causadas posições incorretas nas bicicletas, pois o pedalar não é um movimento natural na ergonomia do ser humano e como conseqüência disso, a menor irregularidade no campo da simetria física pode levar muitos tipos de reclamações.
Uma das grandes polêmicas do ciclismo é a questão da impotência e do câncer de próstata relacionados à posição de sentar sobre o selim. A polêmica gera muitas dúvidas entre os ciclistas. Dentro do que tem sido pesquisado por cientistas, até o momento não se encontraram relações entre a prática de ciclismo e problemas de câncer de próstata. A certeza existente é a de que o exercício físico dos ciclistas lhes confere uma saúde arterial que nem de longe lembra quem não pratica essa atividade, principalmente em idades avançadas.
A queixa mais comum ouvida entre ciclistas é a parestesia peniana (dormência), nos homens e parestesia dos grandes lábios nas mulheres, principalmente após longos períodos de exercício. No homem, o pênis é irrigado por vasos sanguíneos através dos dois corpos cavernosos do membro. O que ocorre durante a prática, é que essa região fica em contato com o selim e por isso a artéria peniana e os nervos da região são comprimidos. Consequentemente, o nervo pudendo da região perínea, passa a ter um menor sinal de impulso nervoso, o que leva a perda de sensibilidade temporária.
Com objetivo de sanar esses problemas, existem no mercado diferentes opções de selim, como os 3 modelos apresentados abaixo.

Dentre estes três modelos, o que acarreta menor pressão a região do períneo, permitindo a irrigação normal dos órgãos sexuais é o selim B e C. Assim, pode-se dizer que o mais aconselhado é o modelo vazado no centro (selim B e C) que ajuda a aliviar a pressão na região do períneo, quando comparado ao modelo tradicional. Comparando-se os dois modelos vazados apresentados, o selim B permite ainda uma menor compressão na região anal, devido ao prolongamento do corte longitudinal do selim.
Os problemas em relação à escolha do selim são mais graves para ciclistas competidores amadores, os ciclistas que utilizam bicicletas estacionárias, bicicletas de estrada e principalmente aquelas com guidom aerodinâmico (que força a assumir uma posição com o tronco inclinado a frente), pois permanecem em uma só posição por muito tempo. Já ciclistas profissionais na maior parte dos casos possuem acompanhamento para solucionar esses problemas.
Em muitos casos, pequenos ajustes no posicionamento horizontal, vertical e no ângulo de inclinação do selim podem minimizar as dores relacionadas ao ciclismo, a fim de minimizar os riscos a problemas urológicos e andrológicos que o estresse pela pressão no selim pode causar aos praticantes.
Autores:
Felipe Pivetta Carpes
FelipeCarpes@gmail.com
Frederico Dagnese
Frederico.Dagnese@gmail.com
Universidade Federal de Santa Maria
GEPEC Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciclismo
http://www.ufsm.br/gepec
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