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A Escalada Feminina no Brasil

Em toda a história do montanhismo sempre existiu mulheres escaladoras, basta pegar os antigos livros de relatórios de escalada de Clubes do Rio de Janeiro, principalmente entre as décadas de 50 e 70, para ver vários nomes de mulheres, inclusive como guias.
Pega Leve!
É mais que uma campanha para garantir o bom uso das trilhas e acampamentos limpos. É um programa ...
Casa do Alpinista
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Amigos em lugares elevados
A invenção do Friend

Avanços técnicos ou tecnológicos sempre provocaram saltos quânticos nos níveis de escalada em rocha. A introdução de pitons, cordas de nylon e proteções móveis abriu terrenos novos e mais difíceis para os escaladores. Essas inovações provocaram e animaram controvérsias quanto à ética em sua utilização. Em 1977, um escalador e então analista mecânico espacial chamado Ray Jardine provocou a mais recente controvérsia com um equipamento radicalmente novo que ele chamou de friend.

Apesar de críticas em torno de sua invenção, a única obsessão de Jardine era desenvolver uma técnica ou equipamento para concluir uma escalada. Em 1973, Jardine percebeu que fendas de níveis mais altos exigiam uma proteção mais eficiente do que os tradicionais nuts poderiam proporcionar. Ele queria algo que permitisse uma colocação e remoção rápidas, que fosse manejado só com uma mão e, mais importante, algo que funcionasse em fendas paralelas.

Bill Forrest, um amigo que fabricava equipamentos para montanha, liberou sua oficina para que fossem construídos alguns protótipos. Jardine criou-os em uma noite e, no dia seguinte, testou-os na rocha. Uma série de falhas levaram-no ao centro de computação da Universidade de Colorado, onde foi aperfeiçoado o ângulo e a curva das peças excêntricas e decidido o uso da liga de alumínio 7075-T6 por sua capacidade de sofrer torção sem quebrar-se ou deformar-se.

Depois disso, Jardine dirigiu-se para um local onde seus novos friends realmente fariam diferença: as fendas verticais de Yosemite. Em 1976, perto das Cascatas Cascade, ele e Ron Kauk tinham limpado uma via em potencial da sujeira e mato e trabalharam-na em seguida. Após várias tentativas e um progresso de apenas 4 metros em uma fenda paralela e estreita, Kauk desistiu. Mais tarde, Jardine retornou com seus friends altamente secretos. Descansando em seus novos aparelhos em meio às quedas, uma prática que tornou-se conhecida como hangdogging, subiu 36,5 metros de árduos movimentos. Em sua oitava visita, Jardine começou do chão e, eficientemente costurando em seus friends, guiou o sofrido Crimson Cringe (Bajulação Carmin), 5.12 a (8a - Brasil), um dos clássicos do vale de Yosemite.

Jardine pediu segredo aos seus parceiros, mas as notícias de seus aparelhos de peças excêntricas logo começaram a vazar. Muitos queriam usufruir das vantagens dos friends, mas Jardine estava relutante em dividir sua idéia tão rapidamente. “Eu não podia liberar os friends para o domínio público antes de licenciá-los à um fabricante”, explicou. Assim, Jardine escalava com seus mágicos aparelhos, estabelecendo numerosas conquistas, sem que ninguém pudesse adquiri-los, causando muito ressentimento. Dois anos mais tarde, Jardine viajou para a Inglaterra onde encontrou uma empresa para produzir seus aparelhos. Quando voltou à Yosemite, já tinha friends para vender em sua van por US$17,50, o que ajudou a diminuir o ressentimento. As vantagens desses novos aparelhos de proteção móvel foram logo percebidas pelos escaladores.

Jardine parou de escalar em 1981 por possuir outros interesses. Navegou pelo mundo num veleiro de 41 pés, antes de partir para longos trekkings. Mais tarde, mudou para a prática de caiaque no mar. Ironicamente, o que irrita Jardine hoje em dia é a dificuldade dos escaladores em possuir uma série completa de friends. “Este tipo de equipamento é ridiculamente barato de se construir”, afirma. Sempre disposto a por lenha na fogueira, Jardine sugere: “Talvez eu devesse escrever um artigo dizendo como fazê-los.”

OBS: O nome técnico em inglês do friend é Spring-Loaded Camming Device (SLCD), isto é, aparelho com peças móveis excêntricas (não possuem o mesmo centro) montadas em um eixo e ativadas através de molas. Nos EUA é simplificado para Cam(excêntrico).

Texto extraído do site do Clube Excursionista Light – CEL
De Jim Vermeulen - Tradução: Paulo Miranda

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