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A Escalada Feminina no Brasil

Em toda a história do montanhismo sempre existiu mulheres escaladoras, basta pegar os antigos livros de relatórios de escalada de Clubes do Rio de Janeiro, principalmente entre as décadas de 50 e 70, para ver vários nomes de mulheres, inclusive como guias.
Pega Leve!
É mais que uma campanha para garantir o bom uso das trilhas e acampamentos limpos. É um programa ...
AS Divers
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Grau de Exposição
A evolução do conceito, nos seus quatro anos de vida, caminha no sentido de conjugar os riscos envolvidos na queda em uma via e a exigência psicológica para entrar guiando à vista.

Com o fim dos anos 90, os princípios da escalada tradicional em fendas são levados para as falésias da Urca, através da escalada esportiva tradicional, que expande os limites da proteção móvel. Dentro deste estilo, as proteções fixas não são utilizadas e a colocação das proteções móveis, em geral, é bastante trabalhosa, além da qualidade não ser tão boa, ficando em alguns casos de maneira bastante marginal, ou mesmo de forma um tanto exótica, como por exemplo, proteção com cliffs e prusiks em lacas. Com estes antecedentes, é extremamente recomendável e conveniente a pré-colocação das proteções e trabalhar a via em top rope, antes de se entrar guiando. Daí vem o nome esportiva tradicional.

Este novo estilo força uma revisão do conceito do grau de exposição, apresentado originalmente no Guia de Escalada de Três picos (Alexandre Portela, Sérgio Tartari e Isabela de Paoli, 1998), quando variava do E1 ao E5.

A expansão do grau de exposição, para o E8 foi registrado na 3ª Edição do Guia de Escalada da Urca (Delson Queiroz e Flavio Daflon, 2002), onde já existem 26 vias abertas neste estilo (variando do IV E3 ao VIIa E7). Além da Urca, já existem vias de esportiva tradicional abertas em Itacoatiara, Itatiaia, Salinas, São Bento do Sapucaí e Paraíba (ver quadro anexo ao final).

A evolução do conceito, nos seus quatro anos de vida, caminha no sentido de conjugar os riscos envolvidos na queda em uma via, e a exigência psicológica para entrar guiando à vista. O caráter de descrição perde a força e passa a ser comparativo. Assim como o grau técnico, onde não há uma definição melhor para o V grau, do que dizer que é mais difícil que um IVsup e mais fácil que o Vsup, para o grau de exposição não existe melhor maneira de classificar uma via de E6 como sendo, mais difícil de guiar à vista do que uma via de E5. Este mais ‘difícil’ significa que o escalador refletirá mais antes de entrar guiando, ou seja, avaliará mais atentamente seus limites técnicos e psicológicos.

Para uma melhor compreensão podemos tomar como exemplo vias de semelhante grau técnico, por exemplo: Ás de Espada (6º VIsup), Aves de Rapina (6º VIsup) e Chega Mais (VIsup). Entre estas vias, certamente conhecemos um grande número de pessoas que já entraram guiando à vista o Ás de Espada, um típico E1. Este número caí substancialmente e podemos contar nos dedos da mão quem fez algo semelhante no Aves de Rapina, uma via com grampeação bem mais longa e que foi graduada em E3. E, até o momento, não temos notícia de alguém que tenha passado à vista no Chega Mais, que está graduada em E5/E6, embora possamos imaginar que isto seja possível para alguns.

Este tema foi discutido no artigo "Grau de Exposição: um conceito em evolução" - publicado na Revista Fator 2 (nº 17, 2002), onde Ralf Côrtes, conquistador da maioria das vias neste estilo, comenta a evolução do conceito do grau de exposição brasileiro. “A base do nosso grau de exposição é o que foi criado pelo Tartari e pelo Portela. A partir do E5 é só uma prolongação da tabela que já existia”. É importante destacar, que a utilização de um sistema aberto para o grau de exposição tem a concordância dos autores originais do sistema. Tartari, inclusive, conquistou em Salinas, uma via de E6, Crux Credo (VIIc/VIIIa). De qualquer forma, como quase tudo o que acontece em escalada, por mais que se tente explicar com palavras não há melhor maneira de entender o grau de exposição do que escalando, mesmo que em top rope, vias de E5, E6, E7. A diferença entre elas certamente será percebida.

De qualquer modo, esforços para ultrapassar os limites do grau de exposição não são encontrados somente no topo da escala. Na outra ponta, na base da escala de graduação (E1), a abusiva utilização de proteções fixas em vias novas, ou as pesadas intermediações de vias já conquistadas, tem se constituído num inacreditável esforço de transformar vias de escalada livre em artificiais fixos; reduzindo a nada o compromisso de vias de III e V grau. É interessante notar, que existe um limite inferior até para o E1, que é o A1.

Quando as proteções estão tão próximas que é possível realizar a via na inusitada situação de "guiar com corda de cima", certamente já ultrapassamos este limite. Numa perspectiva histórica, estas ações podem ser consideradas um retrocesso. Considerando a permanente busca de realizar em livre, as passagens em artificial fixo, liberando a rocha da excessiva presença de ferro, como cabo de aço e paliteiros de grampos.

Considerando a evolução do equipamento e técnica de escalada é surpreendente que coloquemos atualmente mais proteções fixas, para vias de igual grau, do que na década de 70. Embora se discuta o valor deste tipo de conquista não há dúvidas quanto ao instrumento que viabiliza estas ações - o uso abusivo da furadeira.

Certamente, estes arremedos de A1 denotam um estilo bastante pobre. Mas, também, envolvem questões éticas, particularmente numa época em que se amadurece a discussão sobre mínimo impacto.

Grau de Exposição - Tabela Explicativa

E1 - Vias bem protegidas:
Via dos Italianos, Coringa, Ás de Espadas e Rodolfo Chermont (Capacete).

E2 - Vias com proteção regular:
IV Centenário, Fon-Fon (Morro da Babilônia em geral) e Cavalo Louco, CERJ (Capacete), Décadance avec Élegance (Pico Maior).

E3 - Proteção regular com alguns trechos expostos:
Chaminé Stop, Denise Macedo, Cabritos, Via Leste (Pico Maior) e Fata Morgana (Capacete).

E4 - Vias perigosas em caso de queda:
Fecho Eclair, Diagonal do Louco, Os Intocáveis (Pico Maior) e Samba do Crioulo Doido (Capacete).

E5 - Vias muito perigosas, com conseqüências graves em caso de queda (quase um solo da cordada):
Novas Tendências (Urca), Paradoxo (Pico Maior) e Meninos Perdidos (Capacete).

E6* - Vias muito perigosas em caso de queda e pouquíssimos escaladores tentarão guiar à vista:
Os Inocentes (Urca).

E7* - Vias muito perigosas em caso de queda e raríssimos escaladores tentarão guiar á vista:

E8* - Vias muito perigosas em caso de queda, e é bastante duvidoso que alguém tente guiar à vista.

* No Brasil, não temos notícia de alguém que tenha passado à vista. Quase sempre as peças móveis são pré-colocadas. Mais comum em vias de Esportiva Tradicional.

Algumas das Vias acima de E5 já abertas no Brasil
01. Chega Mais, VIsup E5/E6, Urca
02. O Rio de Janeiro Continua Lindo, VIIc E6, Urca
03. Olho Vivo, VIIb E5/E6, Urca
04. Os Inocentes, VIIIb E6, Urca
05. Satisfação, VIsup E5/E6, Urca
06. Novas Tendências, VIsup E5, Urca
07. Terror na Ópera, VIIb E5/E6, Urca
08. Urubifa, VIIIb E6, Urca
09. Viagem ao Fundo do Mar, VIIc E5/E6, Urca
10. Crux Credo, VIIc/VIIIa E6, Salinas
11. Fuzzy Logic, VIsup E7/E8, Itatiaia
12. Boiling Point, VIsup E8, Itatiaia
13. The Dogging Chop, VIb E6, Itatiaia
14. Cumadi Frozinha, VIIb E5/E6, Paraíba
15. Bruxa de Abril, VIIb E5/E6, S. Bento de Sapucaí
16. Mulheres Exóticas, VIIc E6/E7, Itacoatiara
17. Kriptonite, VIIIb E6/E7, Itacoatiara
18. Elfos, VIIIb E6, Itacoatiara
19. Piratas, VI E5/E6, Itacoatiara
20. Buraco Negro, VIIb E6, Itacoatiara
21. A Isca, VIIc E6, Itacoatiara

Autor: Delson Queiroz
Engenheiro Florestal e co-autor, junto com Flávio Daflon, do Guia de Escaladas da Urca (1ª, 2ª e 3ª edições, esta última lançada em maio/2002 – www.guiadaurca.com).

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