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Melhorando a técnica para melhorar o rendimento
A técnica no excursionismo consiste em diferentes formas de executar esforços físicos com o mínimo gasto de energia
Caminhada de aproximação ao monte Shivling, Índia. Apenas uma coisa te intriga: nas vezes em que participaram de caminhadas, as pessoas que acreditava que eram mais fracas do que você desenvolviam melhor rendimento. Você até deu uma pegadinha na mochila deles para verificar o peso, e não eram mais leves do que a sua. Onde está a diferença então?
Talvez a resposta se resuma em duas simples palavras: técnica e eficiência.
E o que vem a ser isso? É um conjunto de fatores que influenciam no rendimento da atividade. Considerando-se o exemplo de dois pilotos automobilísticos que possuem carros iguais, com os mesmos ajustes, será mais eficiente aquele que possuir a melhor técnica. Da mesma forma, o rendimento do excursionista depende da sua técnica.
A técnica no excursionismo consiste em diferentes formas de executar esforços físicos com o mínimo gasto de energia. Tanto mais complexo ou difícil a atividade, mais importante é esse fator.
Voltando um pouco para trás, mesmo a mochila do seu amigo que na balança pesava igual ou até mais do que a sua, quando posta nas costas não dava a impressão de ser mais leve que a sua?
Se você teve essa sensação talvez a diferença seja apenas a forma com que a sua carga foi arrumada. Uma mochila que tem o centro de gravidade próximo ao seu corpo pesa menos no ombro. Aquela que tem centro de gravidade baixa tem melhor equilíbrio e assim por diante. Então vão algumas dicas para melhorar a sua técnica:
1 - Encontrar o ritmo próprio: deve-se procurar sempre caminhar no seu ritmo. As pessoas mais fortes e conseqüentemente mais rápidas devem esperar os companheiros. Aqueles que forem mais lentos não devem forçar a passada para acompanhar os mais rápidos. Cada organismo está acostumado ao seu ritmo próprio, que normalmente é a velocidade de máximo aproveitamento.
2 - Controlar as passadas: quando se está negociando uma subida com mochila nas costas, é comum acabarmos violando as passadas. Isto porque estamos acostumados a dobrar o joelho até uma certa altura para subirmos degraus de escadas e coisas semelhantes. Mesmo quando temos uma sobrecarga, pelo fato do parâmetro das passadas ser visual e sensitivo (mas quando se levanta um dos pés para a passada não sentimos a carga da mochila nela), temos a tendência de manter a mesma amplitude do cotidiano. Isso faz com que o quadríceps e outros músculos associados ao movimento de subida tenham que desenvolver esforços num nível não acostumados, causando desgastes acima do necessário. Tendo isso em mente, sempre que estiver em aclive com sobrecarga procure fazer a subida com a cabeça. Diminua a amplitude e aumente a freqüência de forma que o deslocamento do seu corpo seja uniforme e não aos trancos de cada passada. Um movimento constante e suave pode nos levar bem mais longe, bem mais rápido e melhor, com menos desgaste.
3 - Evitar impactos: as descidas podem parecer o lado fácil da coisa. No entanto são os trechos que mais forçam as articulações e ligamentos. A cada passo que se dá o choque do movimento é amortecido pelo conjunto tornozelo/joelho. Esse impacto tanto maior será quanto mais violentas forem as passadas e pesadas a carga que se carrega. O organismo não está acostumado a trabalhar com sobrecargas. Então deve se tomar especial cuidado para não desembestar nas descidas ou andar saltando de pedra em pedra. Sofrer uma contusão no meio da trilha não é nada agradável.
4 - Distribuição de peso na mochila: quando se está armando a mochila, deve-se tomar cuidado para manter o centro de gravidade o mais próximo possível do corpo. Deve-se proteger todas as roupas e saco de dormir dentro de sacos plásticos para precaver contra a chuva. É também uma boa idéia não guardar nenhum objeto duro encostado no nylon da mochila, pois este pode rasgar ou ser cortado com facilidade caso sofra um impacto.
Eu particularmente gosto de colocar o saco de dormir no fundo. Primeiro porque é um material que não precisa ser retirado durante o dia. Segundo porque forra o fundo. Então passo a armar as coisas duras e pesadas encostadas no ventre da mochila (lado que fica em contato com as costas), tomando cuidado para não deixar nenhuma ponta que possa incomodar as costas. Coloco em torno delas a toalha e roupas que não utilizaria no decorrer do dia.
Nas trilhas tecnicamente simples procuro manter o centro de gravidade alto para melhor conforto e nas trilhas difíceis mantenho baixo para melhorar o equilíbrio. Por fim coloco agasalho e capa de chuva por cima para ter um acesso fácil caso precise.
Os materiais tipo lanche do dia e equipamento fotográfico procuro manter no bolso da tampa. A barraca procuro carregar separadamente, isto é, prendo as varetas de estrutura por fora da mochila e o corpo de nylon guardo junto com as roupas. Somente nos casos em que estou muito carregado levo a barraca inteira presa por fora da mochila. Nessas horas particularmente prefiro tê-la presa na parte alta ou nas laterais. O colchonete isolante, que é um material leve que não provoca deslocamento de centro de gravidade, prendo nas costas da mochila.
5 - Reposição de água e suplemento salino-energéticos: com o decorrer da atividade o organismo consome a reserva energética e perde os eletrólitos. Quanto menor a reserva energética, mais fraco se sente. Quanto menos eletrólitos, pior o rendimento físico e orgânico. Então é interessante estar constantemente repondo essas perdas. Para isso é interessante se manter alimentando constantemente em pequena quantidade. Coisas como um chocolatinho agora, umas frutas secas daqui a uma hora e assim por diante. Também existem materiais próprios para reposição esportiva disponíveis no mercado.
6 - Correto dimensionamento: procure sempre levantar as informações precisas do local para onde se está indo. Alie essas informações a sua experiência para elaborar um plano de atividade, assim como a escolha de materiais adequados para a prática naquelas condições particulares. Procure sempre estar leve, tomando cuidado para não exagerar nos cortes a ponto de comprometer a segurança. Não leve materiais desnecessários, a não ser que seja o caso em que realmente o peso não chegue a atrapalhar.
As pessoas mais fracas, principalmente quando inexperientes devem sempre que possível encontrar parceiros fortes que possam segurar a barra com relação ao transporte de materiais coletivos (barraca, fogareiro e estrutura de cozinha, etc) e da comida. Muita gente é orgulhosa em relação a este tipo de coisas. Mas tenha sempre em mente, que o excursionismo, a não ser nas atividades em solo, é um esporte coletivo. Além do mais, é sempre mais divertido para todos quando o grupo possui um rendimento uniforme. Se você for um desses que faz questão de carregar a sua parte do peso mesmo que tenha que ficar para trás, corre o risco de acabar virando o chato da turma.
Autor: Luís Makoto Ishibe
Matéria extraída do site da Halfdome, com autorização (Halfdome disclaimers) do autor.
www.halfdome.com.br
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